domingo, 22 de novembro de 2009

ATO 25 DE NOVEMBRO: Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher

25 de novembro é o dia internacional de COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER.

Mulheres vem sofrendo a violência dos homens presentes em suas vidas (companheiros, pais, irmãos, filhos) há alguns séculos, e cotidianamente, muitas vezes em silêncio e culpadas por acontecer, ou muitas vezes sem saber reconhecer como uma violência e especialmente contra elas, por serem mulheres. Só recentemente e nos últimos anos, a agressividade social e individual contra nós está sendo nomeada e combatida, com o avanço dos movimentos sociais, feministas e de mulheres, muita coisa avançou no sentido de reconhecer como uma forma específica de privação dos direitos ao exercício da cidadania.

São 3 mulheres assassinadas por semana em Curitiba e Região Metropolitana, mães de família, trabalhadoras, jovens ou não, pelas mãos de seus maridos e companheiros. Segundo os dados do DataSus, a cada 4 minutos uma mulher é agredida no Brasil. Essas cenas estão acontecendo o tempo todo e agora, e muitas dessas violências acabam por ter um fim trágico, com a morte das mulheres que a sofrem.

A raíz dessa violência está na desigualdade de poder entre homens e mulheres, e numa forma de controle social exigida pela lógica própria ao sistema patriarcal.

O Coletivo de Ação Feminista de Curitiba estará realizando um ato nesse dia e convida a todas para participarem:

das 11:30 às 13:30 na Boca Maldita (rua XV).
das 17:30 às 19:30 na Praça Rui Barbosa.

Venha se somar à essa luta!!

mais informações: acaofeminista@gmail.com

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dor

Os motivos para a tristeza das mulheres não devem ser depreciados ou refutados, nem materialmente alterados por mudanças paulatinas nas circunstâncias econômicas e sociais. A tristeza da mulher deriva de sua impotência. Esta a torna vulnerável a toda uma série de infortúnios que a pressionam eternamente. Seu dever, ela aprende todos os dias em milhares de fontes, é atrair, isto é, ser julgada atraente por outros cujas reações não pode ditar. Ela confia em que basta ser uma pessoa simpática, uma boa garota, e descobre que isso não basta. Esforça-se com afinco, sai-se bem na escola, ganha fama de inteligente, e só os professores gostam dela. Convence-se de que não é linda, pelos padrões e estereótipos que se vêem em todos os lados. Mesmo que seja linda, não o será por muito tempo. Se tiver algum sucesso em atrair, quando a idade a marcar, está condenada a perder suas vitórias e permanecer provada delas. Hoje, as adolescentes já sentem que seu corpo amadurecendo é matronal demais e esperam rejeição. O fracasso da ligação com um par equivale ao fracasso em tudo. A mulher que nunca se acasalou deve sofrer. Se já, e foi abandonada, fica desolada. A manutenção do elo com um par muito frequentemente exige a obliteração gradual de seu eu individual. "Quero fazê-lo feliz", diz, sem saber que, se ele não é feliz, isso tem menos a ver com ela do que com qualquer dos outros fatores na vida dele. Se tenta tratar os homens como os homens tratam as mulheres, endurece-se e mancha a sua auto-imagem. Se não tem filhos, fica decepcionada; se tem, está sentenciada a longos períodos de isolamento em casa com aquele filho e ser a única responsável por quaisquer problemas que a criança possa enfrentar. Quando o filho cresce, ela não tem o direito de permanecer em contato intimo com ele e precisa sofrer essa perda. Se interrompe uma gravidez, também tem que aguentar o remorso e lutar. Talvez encontre satisfação no trabalho, se tiver muita sorte de ter um que valha a pena. Pobreza, trabalho maçante e solidão são razões válidas para a tristeza; além e abaixo, longe do alcance de todas elas, está o amor não correspondido. Amor do pai, do companheiro, do filho, todos para a vasta maioria das mulheres permanecem não correspondidos. Os entes queridos de uma mulher são o centro de sua vida; ela tem de aceitar ficar distante do centro da vida deles.

(...)

Por trinta anos tentamos dirigir o movimento feminista com base na raiva das mulheres, mas elas nunca se apresentaram em quantidades suficientes para imperlir-nos para a frente. Se pudermos encontrar meios de colher a energia da dor oceânica das mulheres, moveremos montanhas.


Quero ser a garota mais surpreendente
Amo-o tanto que o amor vira apenas ódio
Simulo com tanta realidade que fico além da simulação
Algum dia você vai sofrer como eu sofro
(Hole)


(G. Greer - A mulher inteira)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

[informes] Oficina de Auto-defesa feminista para mulheres (Wendo) dia 8 de novembro / exibição do filme STONEWALL dia 4



No domingo dia 8 de Novembro haverá oficina de iniciação ao Wendo – Autodefesa Feminista. Esta oficina é direcionada para mulheres a partir de 16 anos de idade, que têm interesse em conhecer técnicas básicas de defesa pessoal, através de uma perspectiva feminista.
Se desejarem, após esta oficina podem integrar o grupo de treino, no qual praticamos técnicas mais avançadas.
Inscrições: wendo.cwb@gmail.com
Telefones: 9638-9067ou 9679-4180
ATENÇÃO! AS VAGAS SÃO LIMITADAS!!

Se você se inscrever e não puder comparecer, favor avisar com 48 horas de antecedência para não tirar a vaga de outra mulher.
A colaboração com os custos da oficina é voluntária e a quantia fica a seu critério! Por favor, não deixe de vir se não puder contribuir!
Recomendamos o uso de roupas leves e confortáveis. Pedimos a todas que tragam seus canecos de casa, para evitarmos desperdício de copos plásticos.


Horário: das 16:00 às 18:00 h.

Tolerância máxima de 10 min.

Após, não será permitida a entrada.

Pedimos que chegue um pouco mais cedo para nos organizarmos.
LOCAL: C.E.U.C (Casa da Estudante Universitária de Curitiba)
Rua Gal. Carneiro 360, Alto da Glória, ao lado da Reitoria e prédio do DCE.
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O Wen-Do é uma autodefesa que surgiu no Canadá nos anos 60, feito por mulheres e para mulheres. Reúne técnicas fáceis para que possam ser usadas de forma efetiva, sem necessidade de força ou condicionamento físico.
Mas não se trata apenas disso; é uma prática que faz com que as mulheres reflitam sobre a violência de gênero em diversos aspectos (físicos, psicológicos, etc.) e, assim, aprendam a se prevenir e a se defender. É um espaço para o fortalecimento global das mulheres!
Sua Filosofia é que todas as pessoas têm o direito de viver uma vida livre de violência, ameaças e insultos – seja em situações extremas ou mesmo no dia-a-dia – pois isso não deveria “ser normal”. Assim, nossa meta é fazer do mundo um lugar seguro para uma mulher!
O Wen-Do é, acima de tudo, uma prática solidária!
Saiba mais em www.wendobrasil.com/wendocwb/






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[outros informes]




Dia 4 de novembro (esta Quarta-feira) venham assistir ao filme STONEWALL e conhecer o coletivo!


Vamos passar o filme no museu da UFPR da Santos Andrade - o MUSA - que conta a historia do bar Stonewall onde começou a desencadear a mais massiva luta LGBTT da história!!!


Hora: 19:00h

Local: Museu de artes UFPR

Trav. Alfredo Bufren, 1403 andar.


Dia 07 de novembro: Primeira reunião do coletivo de Sábado.

Para aqueles que não podem se reunir com a gente em dia de semana e querem participar, o coletivo se reunirá alem das quartas-feiras às 17:30 na reitoria, também dois sábados por mês.Esta primeira será no campus da federal do Botânico no Centro Academico de Fármacia (CAF) a partir das 16:00h.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Declarar Independência da Revolução Sexual

Ti Grace Atkinson, escritora feminista dos 70 famosa por questionar a 'institucionalidade' de determinadas práticas sexuais, à esquerda, com membras do 'Feminists' em demonstração frente à Licença de Casamento de Manhattam. 'Sexo está super estimado', ela diz. 'Se um dia tivermos que escolher entre sexo e liberdade, não haveria dúvida, eu tomaria Liberdade'.

Independência da Revolução Sexual
Dana Densmore (Publicado em Radical Feminism, Anne Koedt, Ellen Levine, Anita Rapone, eds. [Quadrangle, 1973])

Nós seres humanos não somos criaturas que surgem da terra, com nossa integridade completa e imutável, nosso poder de decisão livre e objetivo. Nós somos não somente influenciados pelo meio, somos condicionados e construídos por ele.

Desejos e até necessidades podem ser criados. Estamos todos acostumados com as técnicas engenhosas da Madison Avenue para gerar insegurança a fim de oferecer seu produto ou serviço como forma de sanar essa insegurança. As técnicas mais eficientes se concentram em nossos medos de não sermos aceitos socialmente, não sermos amados, não sermos sexualmente atraentes.

As sementes da insegurança já existem em uma sociedade cuja ideologia do individualismo isola as pessoas e coloca a culpa no indivíduo por toda inadequação e fracasso. Nós ouvimos constantemente as variações nesse tema. Elas são utilizadas para não admitir que algo poderia estar errado na forma que a nossa sociedade está construída. "Se você não consegue se adequar bem na vida, o problema é seu: talvez ajuda profissional seja necessária." "Não tente mudar o mundo --é melhor libertar sua mente."

E nós ouvimos isso como resposta à ameaça da libertação feminina: "Você deveria se sentir intimidada ao ser rebaixada pelos homens."; "Deixe sua família se ela é tão opressora assim."; "Se você não gosta de jeito que seu amante te trata, você pode sair da cama."; "É sua própria culpa se você não consegue um bom trabalho --você se permitiu ser desencorajada, você escolheu os cursos mais fáceis e 'femininos' na faculdade."

A suposição implícita em todos esses discursos é a da ideologia individualista de que se você é incapaz de fazer algo que é teoricamente possível (ou presumidamente possível em teoria) é devido a uma dificuldade pessoal e, consequentemente, sua reclamação não é válida. Isso isola as pessoas e tende a deixá-las inseguras. Frequentemente elas chegam ao ponto de desprezar a si próprias, porque enxergam em si mesmas tantas supostas fraquezas e problemas psicológicos que as impedem de serem felizes, bem-ajustadas e eficientes. Essa é uma característica de nossa sociedade que isola a todos nós, não apenas as mulheres. No entanto, mulheres, sendo as mais oprimidas, são mais forçadas a se culpar por sua impotência e portanto são as que mais se desprezam, as mais isolodas e que sentem mais medo e ansiedade de que ninguém as irá amar.

O próprio isolamento que a ideologia individualista impõe nos faz desejar ainda mais ser amadas e aceitas, e temer ainda mais não ser dignas de amor. Mas nós não conseguimos escapar do medo de não sermos amadas. "Quem que iria me querer?", nós nos perguntamos; "Eu tenho todas essas nóias." A solução oferecida a todas essas questões é geralmente a de se abrir até que você acabe se fundindo a outra pessoa de forma altruísta. Em muitos casos isso significa explicitamente sexo. Mas todas as soluções apontam para sexo de uma forma ou outra. Sexo torna-se mágico, ganha uma vida própria tornando qualquer coisa interessante, fazendo com que tudo valha a pena. É por isso que nós passamos horas provando micro-vestidos, nos enchendo de correntinhas, colocando lingeries de renda e aplicando maquiagem.

É nisso que muitas garotas que poderiam estar lutando pela libertação feminina estão empregando suas preciosas energias e buscando como uma parte indispensável de suas vidas. Elas gastam e dissipam seu tempo valioso, talentos e forças em tentativas de ser atraentes para os homens, e para resolver questões com seus amantes de forma que o "amor" seja menos degradante. E com muita frequência tudo que elas colhem é desmoralização, ego ferido, exaustão emocional.

Sob a bandeira de "não negar nossa sexualidade" e apontando para a repressão do passado, quando às mulheres foi negado o direito a qualquer prazer em seus corpos, muitas de nós agora adotamos a sexualidade e suas expressões sem nenhum critério. Como se o excesso no presente pudesse compensar a privação no passado. Como se mesmo a total satisfação sexual pudesse mudar alguma coisa. Exceto... é isso mesmo? --exceto o medo que sentimos sozinhas à noite, de que talvez sejamos mesmo as loucas neuróticas e sexualmente frustradas que nossos caluniadores nos acusam de ser. Será que estamos buscando satisfação sexual tão avidamente porque precisamos provar que nossas políticas não são simplesmente resultado da falta de uma boa trepada?

Daí tem a questão dos orgasmos. Dentre aquelas que nunca foram bem-ajustadas e mulheres o bastante para se induzirem a um orgasmo enquanto são vaginalmente estimuladas por um homem, há algumas que, ao descobrirem que sua vergonha e angústia não são algo raro mas extremamente comum e devido a fatores anatômicos, reagem a essa descoberta com o sentimento de que elas devem compensar exigindo toda a satisfação física que elas têm proporcionado aos homens todo esse tempo esquecendo delas próprias.

O que nós perdemos não foi apenas X oportunidades de prazer físico. O sofrimento que inúmeras mulheres suportaram porque lhes foi dito que se elas não tivessem orgasmos vaginais elas eram frígidas --que eram neuróticas, egoístas, não-femininas, sexualmente inadequadas, incapazes de relaxar e se doar e secretamente ressentiam do poder de seus maridos e os invejavam --esse sofrimento é imenso e desolador.

A liberação da igualdade sexual e o direito ao prazer sexual é a solução para o futuro. Mas há alguma solução para o passado? Seria uma solução sair por aí e colecionar orgasmos a fim de compensar por todos os anos de frustração e auto-depreciação? Eu penso que você não consegue compensar por todo aquele sofrimento, e certamente não através de uma mera sensação física. E quanto às recompensas psicológicas de finalmente obter o que me é devido, eu não consigo sentir nenhum triunfo nisso, especialmente quando eu ainda estou lutando contra velhos hábitos e antigas culpas que permanecem mesmo depois que o intelecto e a vontade tenham seguido em frente.

A pior parte é que mesmo com a perfeita satisfação sexual e prazer mútuo livre de culpa, nós ainda somos oprimidas. Afinal, algumas mulheres conseguiram ter orgasmos vaginais todo esse tempo, e elas ainda eram oprimidas; de fato, era assim que você deveria atingir o orgasmo -- rendendo-se completamente à vontade do homem, amando ser uma mulher e tudo que isso implicava. Relações sexuais no mundo atual (e talvez em toda a história) são opressivas. O fato de seu amante lhe dar um orgasmo muda apenas uma pequena parte dessa opressão (mais precisamente aquela que dita que você deve se enxergar como uma criatura a qual somente é permitido o prazer silenciado, sensual, semi-masoquista de ser fodida e nunca o prazer ativo e transcendente do orgasmo).

Se essa fosse a única injustiça, ou mesmo a maior injustiça feita a nós, nós estaríamos muito bem, de fato. Na verdade, nós provavelmente seríamos capazes de suportar sem problemas, certamente sem toda essa angústia e auto-depreciação. É a opressão e degradação generalizadas que sofremos no mundo que faz com que sejamos humilhadas no ato sexual, como a Simone de Beauvoir aponta. Se não fosse pelo sentimento de inadequação e impotência que aprendemos em todos os outros aspectos de nossas vidas, nós chutaríamos nosso amante da cama se ele fosse arrogante, não atencioso ou rude.

Alguns homens lavam a louça toda noite. Isso não torna suas esposas livres. Pelo contrário, isso é apenas mais uma coisa pela qual ela deve ser grata a ele. Ele, no poder e glória de sua masculinidade, dignou-se a fazer algo para ela. Nunca significará mais que isso enquanto as dinâmicas básicas de poder não mudarem. Enquanto os homens constituírem a casta superior e mantiverem o poder político na relação de classe entre homens e mulheres, será um favor que o seu amante estará fazendo a você, não importa o quanto autoritariamente você o exija. E além dessas pequenas atitudes, nada mais precisa ser mudado.

Mas a questão não é apenas o orgasmo. Não nos era nem permitido envolver-nos em intercurso sexual sem perder a dignidade social e o respeito dos homens. Não nos era permitido amar, trepar, gostar de trepar, nem mesmo com nossos maridos. Ordenava-se aos maridos que amassem suas esposas, e às mulheres que obedecessem seus maridos. Era cruel e insuportavelmente hipócrita.

Mas independente do que nos foi negado no passado, não se pode dizer que o acesso ao prazer sexual nos é negado agora. Nosso "direito" a ter prazer com nossos corpos não nos foi somente concedido; é quase uma obrigação. De fato, as coisas foram invertidas ao ponto de que o "fato" (na verdade um artifício para confundir) de que nós não fazemos sexo é cochichado e usado pelos homens para desencorajar "suas" mulheres de se relacionarem conosco. Essa é uma mudança que me faz rir toda a vez que penso no assunto. O que a "Ask Beth" pensaria disso! Como os homens conseguem dizer isso com uma expressão séria? Eles devem realmente se sentir aterrorizados com a idéia de perder o poder para definir o que é apropriado para mulheres direitas. (Visto que esse poder é justamente o que estamos questionando.)

O direito que é um dever. Liberdade sexual que não inclui liberdade para recusar sexo, recusar ser definida a todo momento por sexo. Sexo se torna uma religião, existindo independentemente dos indivíduos que compartilham de sua consumação física particular. A mídia nos bombardeia com isso. Sexo está em todo lugar. Nos é forçado garganta abaixo. Ele é o grande procedimento padrão que nos mantém em nossos lugares. É o que torna interessantes nossas vidas miseráveis. Em todo lugar nós somos objetos sexuais, e nossa própria satisfação simplesmente aumenta nossa atraência. Nós somos sensuais. Nós usamos minissaias e blusas transparentes. Nós somos sexy. Nós somos livres. Nós andamos por aí e vamos pra cama quando bem entendemos. Essa é a auto-imagem que construímos em nós por toda a publicidade e a mídia. Ela é muito eficiente. E muito proveitosa. Ela nos mantém em nosso lugar e nos sentindo "felizes" (a liberdade para consumir, consumir, consumir, até que a gente engula o mundo). Nos faz parecer livres e ativas (ativamente, livremente, nós pedimos sexo aos homens).

E as pessoas parecem acreditar que a liberdade sexual (mesmo quando é apenas a liberdade de oferecer-se ativamente como um objeto concordante) é liberdade. Quando os homens nos dizem, "Mas vocês já não estão livres?", o que eles querem dizer é, "Nós dissemos que tudo bem vocês nos deixarem fodê-las, que a culpa era neurótica, que castidade é perda de tempo; vocês já estão praticamente dando na rua, o que mais vocês querem ou podem aguentar?". A suposição não-declarada por trás desse equívoco é que mulheres são seres puramente sexuais, corpos e sensualidade, máquinas de foder. Portanto liberdade para mulheres somente poderia significar liberdade sexual.

Liberdade espiritual, liberdade intelectual, liberdade de invasões de privacidade e insultos de estereótipos degradantes --essas são apropriadas apenas para homens, que se importam com elas e conseguem apreciá-las. A mulher, lembre-se disso, é um ser sexual, afável, emotivo, expressivo, altruísta, próximo à natureza, físico, aprisionado pela assustadora, repugnante, deliciosa, tão efêmera carne. Para tal criatura, atrever-se no território da transcendência é indignante, impensável, polui os reinos puros e elevados do arbítrio e espírito, onde ascendemos acima da carne.

Infelizmente, os oprimidos frequentemente adotam as psicoses da classe dominante, transformadas, por vezes, ao ponto que elas não mais parecem projeções perversas e intelectualmente disonestas mas uma aceitação razoável da realidade (e para os oprimidos, a realidade é de certo modo o que a classe dominante acredita). Então nós reconhecemos que possuimos algum intelecto, e talvez até o utilizemos abertamente com homens tolerantes ou sofisticados. Mas também reconhecemos que, uma vez que somos mulheres, nós somos afáveis, emotivas, expressivas, altruístas, próximas à natureza, por vezes regidas por nossa sensualidade, nossa profunda, inegável sexualidade.

Há recompensas nisso para nós. Ao nos perdermos em entrega sexual nós despertamos naquele homem poderoso, racional, rígido, sem emoções e analítico a necessidade desprezível, total, frenética da carne à qual ele gosta de se pensar superior. E não há dúvidas que para uma mulher o amor sexual contém como forte componente o desejo de tornar-se poderosa ao se unir com o poderoso. Ela vê a si própria como impotente e ineficiente, a ele como poderoso e competente. Ela anseia por aquela sensação de competência e a confiança que ele possui por saber que o "mundo é dele". Na intimidade e êxtase do sexo ela espera perder a si mesma, fundir-se a ele de forma que tornem-se um só.

Crianças que ouvem repetidamente que são mentirosas ou ladras tornam-se mentirosas ou ladras. Pessoas que ouvem repetidamente que são loucas tornam-se loucas. Se você ouve repetidamente que você é um ser que possui necessidades sexuais profundas, é bem provável que você descubra que possui realmente. Particularmente quando outras formas de expressão são proibidas ou desencorajadas. Particularmente quando é enfatizado que aquelas que não possuem essas necessidades são frígidas, neuróticas, sexualmente desajustadas (o que para uma mulher significa essencialmente desajustada), secas, estéreis, dignas de pena.

Esse estereótipo também acaba se concretizando. Uma mulher que não sente prazer no sexo, por qualquer motivo (seu marido, talvez, lhe é repulsivo por sua atitude como amante ou por conta do desprezo que ele demonstra por ela fora da cama), pode se tornar amarga acreditando que lhe falta a sua satisfação feminina, o grande prazer avassalador que faria com que todos os sofrimentos de ser mulher valessem a pena. É inútil afirmar que não somos programados para desejar sexo, buscá-lo, necessitá-lo. Mesmo quando sabemos que algo é falso nosso condicionamento nos leva a continuar agindo de acordo. Nesse caso, é muito difícil até mesmo de separar o que é verdade do que é falso.

Uma mulher com quarenta e poucos anos me escreveu: "Agora eu percebo tudo sobre isso ser um instinto, mas eu acho que há algo a mais nessa história. Quando eu reflito sobre minhas experiências passadas, raramente consigo localizar uma vez em que fui compelida por uma necessidade interna. Eu não estou dizendo que se eu não trepasse por um longo período (o que nunca aconteceu comigo), eu não teria o instinto, mas estou dizendo que nós precisamos de alguma prova do quanto é necessário porque eu suspeito que até o mínimo é muito, muito inferior ao que é imaginado... Eu sei que me convenci a fazer sexo na maioria das vezes provavelmente buscando aquele 'orgasmo arrebatador', que talvez fosse uma mentira de qualquer forma. E se ninguém tivesse me apresentado aquelas palavras com as quais eu me convenci? Eu começo a desconfiar de tudo. Me lembra daquela frase do Notas Do Primeiro Ano: às vezes você prefere jogar ping-pong."

Sem dúvidas há algumas vontades inatas, ou ao menos propensões. Mas uma propensão pode ser construída culturalmente de forma a se tornar uma obsessão ou culturalmente eliminada, às vezes simplesmente por não ser encorajada. Eu pessoalmente suspeito que alguma forma de desejo sexual pode ser inata. Seres humanos se reproduziam antes de possuírem uma organização social elaborada institucionalizando o intercurso sexual e antes dos anúncios coloridos de uma página inteira em revistas impelindo mulheres a "tornar-se algum corpo". ["Be Some Body"]

E se de fato esse desejo não é tão forte assim, poderia ainda ser bom mantê-lo (encorajá-lo) se ele propicia às pessoas prazer físico ou prazeres de intimidade. Mas deve-se considerar que deve ser prazeroso a ambas as partes, sempre: o que significa que nunca deve ser institucionalizado por lei ou cultura. E se é um "instinto" básico sentido tanto por homens quanto mulheres, não há necessidade de institucionalizá-lo para garantir sua sobrevivência.

O que "enxergamos" quando olhamos para dentro pode corresponder muito pouco à realidade. Estamos saturadas por uma história em particular sobre o que há lá dentro. Além do mais, nós fomos saturadas por isso durante todas as nossas vidas, e isso nos condicionou e nos tornou o que somos. Nós sentimos que precisamos de sexo, mas a questão é muito confusa. O que é que precisamos realmente? São orgasmos? Intercurso? Intimidade com outro ser humano? Toques? Companheirismo? Bondade humana? E nós "precisamos" fisicamente ou psicologicamente?

O intercurso, no sentido do ato físico que é o objetivo final de tanta ansiedade, estratégias e desgaste, não é necessariamente o que nós estamos anseando, não mais do que, nos casos mais óbvios, é a publicidade de produtos para consumo que gera um anseio neurótico por aquilo. Fisicamente, há uma certa tensão objetiva e liberação, ao menos para o homem, quando a excitação leva ao orgasmo. Com uma mulher mesmo essa questão física é muito menos definida: a maioria das mulheres não tem orgasmos no intercurso, e muito poucas sempre os têm. Eu acho que todas concordaríamos que não é esse o objetivo ao irmos para a cama com um homem. De qualquer forma, um orgasmo para a mulher não é uma liberação no mesmo sentido que é para o homem, uma vez que somos capazes de atingir um número indefinido de orgasmos, permanecendo excitadas o tempo todo, limitadas somente pela exaustão. A liberação que sentimos, portanto, é psicológica. A tensão psicológica de conseguir esse homem, de possui-lo intimamente de uma determinada maneira, é liberada quando nós o "possuímos" através do orgasmo dele. Nós então sentimos o prazer da proximidade porque ele está mais aberto a nós (desde que ele esteja realmente aberto e não simplesmente vire para o lado e durma, ou se levante da cama para se ocupar com alguma outra coisa, sua atenção facilmente desviada agora).

Sem negar que sexo pode ser prazeroso, eu sugiro que o que realmente procuramos é proximidade, união, talvez algum tipo de abstração de si própria que dissolva o terrível isolamento do individualismo. O argumento do prazer não me impressiona muito. Muitas coisas são prazerosas sem que nós pensemos que não podemos viver sem elas, até mesmo num contexto revolucionário. Eu consigo pensar em certas comidas, certas músicas, certas drogas cujos prazeres físicos proporcionados podem ser equiparados até mesmo a sexo bom.

Além disso, a destruição do sentimento de isolamento através da comunicação, comunidade, bondade humana, e lutas em comum podem todas ser encontradas em outras mulheres à medida que se trabalha em conjunto na luta contra a opressão. Com outras mulheres vocês são mais do que amigas, vocês são irmãs. Seria um erro descartar rapidamente a força espiritual que pode ser obtida da irmandade, ou superestimar o abrigo nos braços de um homem, só porque este é, tradicionalmente, o único refúgio permitido à mulher.

O que eu quero sugerir não é que sexo é por natureza mau e destrutivo, mas que não é uma necessidade física absoluta: a suposição de que é uma necessidade física absoluta é que é ruim, e os padrões gerados por essa suposição é que são destrutivos. A maioria de nós reconhece que relações sexuais frequentemente se mostram ruins e destrutivas numa sociedade onde a desumanização, exploração e opressão das mulheres estão tão profundamente arraigados na cultura. O que nós buscamos é a exceção, o caso raro no qual temos, ou pensamos por um tempo que poderíamos ter, o cara certo e as circunstâncias certas.

Mas até mesmo no amor somos limitadas quando acreditamos que precisamos trepar para expressar amor. Nós somos programadas a pensar que não apenas sexo é o único modo de demonstrar ou provar nosso amor, mas que é o único (ou melhor) modo de expressá-lo. E nessa sociedade perigosa e alienante nós nos sentimos sempre muito ansiosas para demonstrar, provar, e expressar nosso amor, e a esperar que a afeição de nosso amante seja demonstrada, provada e expressada para nós. Para homens isso é duplamente tentador uma vez que sexo para eles é a única ou melhor maneira de provar ou expressar sua virilidade, tanto pela demonstração de potência sexual quanto pela imposição de sua vontade sobre uma mulher.

Considerando que isso é verdade, portanto, nós somos condicionados a essa forma de expressão e nos voltamos a ela sem pensar. Mas nós precisamos desenvolver novos meios não-sexuais de se relacionar com pessoas, com homens e mulheres. A obsessão pela sexualidade genitalizada, e trepar em particular, nos afasta de um mundo de possibilidades enriquecedoras. Nós pensamos que amor é amor sexual, amor sexual genitalizado. Portanto nós não podemos amar mulheres ou homens com os quais não estamos sexualmente envolvidos ou interessados. Afetuosidade também é relacionada com sexo genital e com exceção de crianças, animais e alguns parentes próximos, todo afeto físico deve se limitar ao parceiro sexual masculino. Até mesmo comunicação, contato humano e compreensão presumidamente apenas estão disponíveis na intimidade do contato sexual genital.

Todo desejo de amor, companheirismo, afeto físico, comunicação e bondade humana se traduz portanto como desejo por sexo. Isso é pateticamente restrito, incrivelmente limitante. Especialmente já que se pode questionar justificadamente se é ou não comum obter essa comunicação, essa bondade humana, esse companheirismo e afeto que buscamos. É o que queremos, ok, mas nós precisamos questionar, da mesma forma que questionamos o medicamento que promete bem aquilo que queremos: ele realmente faz isso? E se não, talvez seja na prática uma fraude.

De fato, como mulheres frequentemente observam, sexo pode ser uma forma rápida de estragar um bom relacionamento. Ou porque o homem simplesmente não consegue tratá-la de igual para igual quando ele está tão envolvido, ou porque ele não sabe como tratar a mulher com igualdade em um relacionamento sexual, ou porque ele estava secretamente ou inconscientemente somente atrás da conquista o tempo todo.

Outro problema é que homens têm uma visão diferente sobre amor e sexo que as mulheres e na maioria das vezes elas não sabem disso. Elas presumem que estão fazendo investimentos iguais ou similares. Estudos foram feitos sobre o que homens e mulheres pensam que é o amor, e o que o amor significa para eles. Afeto e companheirismo são os primeiros citados pelas mulheres, seguidos de segurança e outros elementos, e sexo aparece em oitavo lugar. Homens invertem essa ordem ao colocar sexo em primeiro lugar. Companheirismo e afeto são objetivos secundários para os homens. Essa orientação da parte deles, juntamente com as atitudes culturais (e medos) que os homens apresentam em relação às mulheres, fazem com que a relação de amor sexual seja um local inadequado para uma mulher buscar comunicação e entendimento humano.

No entanto, contanto que sejamos capazes de fazer demandas claras em um relacionamento, insistindo que o homem cumpra certos requisitos ou então não ficaremos com ele, muito obrigada, nós poderemos sobreviver sem grandes sofrimentos. Os requisitos podem ser: (1) Ele está sexualmente interessado em mim, e não interessado em sexo com a pessoa que estiver disponível no momento. (2) Ele não é desinteressado em relação a mim além do sexo, ele é sensível, leal, talvez até me ame. (3) Ele me respeita como pessoa, está disposto a conversar comigo, não me intimida, não passa sermão ou menospreza minha opinião e projetos.

É quando não estamos livres ou não nos sentimos livres para fazer essas demandas mínimas num relacionamento que problemas surgem. E não estamos livres quando estamos presas pelo falso condicionamento que decreta que precisamos de sexo. Não estamos livres se acreditamos nos avisos culturais ameaçadores de que ficaremos com "tesão" e frustradas e neuróticas e finalmente iremos secar como ameixas e teremos de abandonar qualquer esperança de sermos boas, criativas e eficientes. Nós não estamos livres se acreditamos que, como animais não-racionais, somos regidas por algo que não é apenas insintivo mas irracionalmente, irremediavelmente inevitável. Se acreditamos em tudo isso, então, devido à raridade de relacionamentos bons, saudáveis e construtivos entre homens e mulheres no mundo atual, nós seremos forçadas a aceitar, até mesmo buscar relacionamentos ruins e destrutivos nos quais somos usadas, nos quais aceitamos humilhação pelo privilégio de "usá-lo".

Se fosse verdade que precisamos de sexo com homens, isso seria um grande infortúnio, que poderia praticamente condenar nossa luta. Felizmente, não é verdade. Quando buscamos sexo, é por uma escolha consciente e inteligente. Nós desejamos experimentar, através de intimidade, bondade humana, comunicação, fusão "de volta ao útero" e abstração, e sinceridade quase infantil. Nós fazemos sexo porque pensamos ser a coisa certa. Nós podemos estar erradas. Talvez pensemos que é a coisa certa porque acreditamos que nos tornaremos vacas neuróticas caso contrário. Mas não o fazemos porque somos seres sexuais que não podem "negar sua sexualidade". De acordo com esse argumento, ter sentimentos sexuais, ou uma energia que poderia ser rapidamente convertida em energia sexual e no entanto optar por não manter intercurso sexual e empregar essa energia em outra atividade que parece ter, no momento, mais prioridade, é "negar" nossa sexualidade.

Isso é o que homens têm imposto a nós todo esse tempo. (Eles não aplicam a mesma lógica a eles mesmos.) Porque eles se relacionam conosco de forma sexual, eles concluem que somos seres sexuais. Se nós nos manifestamos de outra forma, então, algo está seriamente fora do lugar uma vez que estamos "negando" que somos primariamente seres sexuais. Mas, de fato, somente se formos seres meramente sexuais, exclusivamente sexuais, que optar por empregar nossa energia em outra atividade indicaria qualquer tipo de negação. (O grande cientista ou artista ou escritor que usa toda a sua energia no seu trabalho não está negando nada --isso seria insultá-lo; ele simplesmente percebe que o dia é curto e por enquanto seu trabalho é mais importante para ele.)

Pessoalmente, eu reconheço que tenho sentimentos sexuais. Sua natureza e origem exatas estão abertas a debate, mas eu não tenho dúvidas de que exista uma realidade física objetiva pelo menos até um certo ponto. No entanto, somente eu irei decidir qual importância esses sentimentos têm em minha vida como ser humano. Nós não vivemos em uma sociedade ideal, e ideias ou estilos de vida "pós-revolucionários" podem muito bem retardar a revolução ou torná-la impossível. O fato de que, em uma boa sociedade, mulheres podem querer produzir crianças, ao menos até o aperfeiçoamento do útero artificial, não significa que eu deva ter filhos agora nas atuais condições. De forma parecida, a crença de que sexo teria um espaço em uma boa sociedade não significa necessariamente que devemos fazê-lo agora. A decisão deve estar baseada nas condições objetivas do presente.

Permita-me dizer algo sobre as condições objetivas do presente. Nós somos pessoas deficientes vivendo num mundo ruim e destrutivo. Nós temos muito mais a fazer além do mero ato de viver. Há muito trabalho que precisa ser feito, e não, de forma alguma, somente o trabalho de libertar pessoas e promover uma revolução. Há o trabalho de nos reconstruirmos, aprender a nos conhecermos e reconhecermos nossos potenciais, aprender a nos respeitar e respeitar outras mulheres e trabalhar em conjunto. Nós devemos superar todos os padrões auto-destrutivos que aprendemos por toda uma existência feminina.

Esse trabalho de recuperar a nós mesmas e promover uma revolução nas mentes de outras mulheres a fim de libertar todas nós é o trabalho mais importante. Se um relacionamento ou encontro sexual em particular é conveniente, apropriado e prazeroso, se não é degradante ou possessivo ou desgastante de alguma forma, você poderá decidir pela escolha de investir parte de seu tempo precioso nisso.

Mas lembre-se do quanto precioso é o seu tempo, sua energia e seu ego, e respeite-se o bastante para insistir que as recompensas correspondam ao investimento.


tradução: créditos a Isa.
retirado de feminist-reprise.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mulheres são seres humanos. Mulheres têm pelos.

Isso a ser escrito agora é apenas um relato bem simples. Espero que ajude quem ler a refletir um pouco, até porque acredito muito que a luta das mulheres por uma identidade diferente da imposta pelo patriarcado é algo a ser feito dia a dia.

Quando eu tinha 14 anos me deparei com a questão de me depilar. É quase como uma obrigação. Você nem mesmo sabe porque está fazendo, mas faz porque todas as meninas fazem, e porque todas as mulheres fazem. Fazem simplesmente porque devem fazer. Alguém gosta?
É engraçado, antes de simplesmente aceitar que se depilar é "mais higiênico" ou "mais bonito" ou "mais feminino", pensar sobre essas justificativas. Vamos a elas.

"Mais higiênico": Todas as pessoas suam, e isso é importante para eliminar as toxinas do corpo. O quanto se sua depende muito mais de uma questão hormonal e de tipo de pele do que de se ter ou não retirado os pelos. Além disso, se ter pelos é "nojento", os nossos colegas humanos do sexo masculino devem ser a porquice personificada, porque eles tem muito mais pelos do que nós. Engraçado é que são eles mesmos os que reforçam essa ideia de que mulher "peluda" é nojenta...

"Mais bonito": Beleza é relativo. Bonito pra quem? Para você mesma ou pra outrem? É difícil a contra-argumentação de "mas eu [i]acho[/i] mais bonito" ser independente de um "sentir-se bem" porque é aceita pelo outro (esse "outro" sem sexismo linguistico). Infelizmente isso é comum: como estamos sendo inseridas num padrão de beleza opressor, fazemos as coisas mais porque seremos aceitas, o nosso "sentir-se bonita" depende do que se define estereotipicamente como "bonita".

"Mais feminino": O que é "feminino"? Algo que é relativo a mulher. Tudo bem, mas esse "algo", quem escolhe? Quem determina? A mulher mesma? Nós determinamos que somos mais bonitas sem pelos, com um "belo sorriso, bons dentes, bonitos seios, longas pernas, bunda bochechuda, voz sensual"?

Eu achava um saco me depilar. Aí quando me deparei com essa noção absolutamente radical de que muelhes não não seres castrados, mas SERES HUMANOS que é o FEMINISMO, parei com isso. Simples assim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Fotos e materiais da intervenção na Parada da Diversidade



O CAF fez presença na Parada LGBT que aconteceu no 28 de setembro, trazendo como tema a Visibilidade Lésbica e sua Saúde, assim como nos uniformizamos em roupas pretas como forma simbólica de dizer nosso 'luto' pelos assassinatos crescentes de homossexuais no Paraná e também lembrar do dia latino-americano e caribenho de luta pela Legalização do Aborto.
Achamos importante ocupar espaços e nos fazer visíveis, seja como mulheres feministas ou como lésbicas, atentando às nossas demandas, e lembrar da importância do movimento LGBT de se articular junto aos de direitos sexuais e reprodutivos, quando aquele deve ao movimento de mulheres e ao feminismo muito do que o impulsionou em termos de inspiração teórica e política.


*Para baixar o panfleto distribuído, clique em flyerparada.doc ou em 1 e 2.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ato pelos Direitos Animais


Olá amiga(o)s!
Pelo Dia Mundial do Vegetarianismo (01/10) e Dia Mundial dos Animais (04/10), ONCA e Grupo FERA convidam para um ATO PELOS DIREITOS ANIMAIS, onde estaremos abordando o tema do Direito do Animal, tanto quanto aos domesticados como aos usados em entretenimentos, alimentação ou outros fins.
SÁBADO03/OUTUBRO/2009BOCA MALDITA, RUA XV (próx. ao Bondinho)das 9h as 15h
*Haverá trechos de literaturas e material impresso para leitura no local.
*E também estaremos distribuindo material informativo básico grátis. Ambientalistas, protecionistas, vegetarianos, veganos, pacifistas, ativistas e simpatizantes de uma forma geral, compareçam!
-OS ANIMAIS ESTÃO PRESOS, ELES PRECISAM QUE VOCÊ VÁ POR ELES!
Contamos com todos vocês lá!


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

28 de Setembro: Dia latino-americano e Caribenho de Luta pela Legalização do Aborto e femicídios em Curitiba: Qual a relação?


Nesta última sexta-feira, dia 18 de setembro de 2009, foi publicada uma matéria na Gazeta do Povo intitulada "No alvo, a mulher", relatando que em média 3 mulheres são assassinadas por semana em Curitiba e região e alertando o aumento de crimes em que as vítimas são mulheres. Inicialmente é importante lembrar que há uma reivindicação do movimento feministas de destacar as mortes de mulheres pelo termo 'femicídio', indicando a especificidade de gênero contida nos crimes contra mulheres.
Após a leitura desta matéria pensamos: "qual a relação entre os assassinatos, a clandestinidade do aborto e os altos índices ainda existentes de mortalidade materna, além de outras causas de morte especificamente femininas"?

Mulheres estão morrendo, basicamente, por fatores tais como: violência doméstica, falta de assistência ao parto e atenção pré-natal e complicações por abortamento inseguro, além de crimes de ódio, como lesbofobia e violência sexual. Os índices relativos à saúde feminina não são otimistas e nos mostram que as dificuldades enfrentadas por mulheres no acesso à essa derivam das políticas sexistas que historicamente as definem como propriedade dos homens e os impactos reais da desigualdade de gênero e das idéias culturais da sua inferioridade.
As mortes e outras formas de exposição não são casuais, e sim estão integradas como uma política sexual que, com recursos ideológicos, materiais, psicológicos e culturais, procura manter mulheres numa posição subordinada, de forma a melhor explorar e dispôr de seus recursos (reprodução, cuidados, trabalho doméstico). A violência masculina e sua educação para 'serem homens' (viris, bélicos) vem como mecanismo para fazer com que cada um deles se encarregue por manter esse regime - o regime Patriarcal - assim como as mortes de aborto e lesbofobia também representam uma 'punição' às mulheres que transgridem a condição de gênero e social que lhes é imputada. Pode-se dizer que funcionam até mesmo como uma ameaça: não ousem ir muito longe.
Podemos concluir que o Patriarcado está exterminando as mulheres, uma vez que a morte é o ponto culminante do controle quando os demais mecanismos a manter um grupo subjugado falharam. E este extermínio está sendo legitimado por lei - criminalização do aborto que faz com que milhares de mulheres se submetam a procedimentos em condições precárias-, pela falta de assistência básica a sáude da mulher, ou em decorrência da impunidade com que são tratados os agressores, que é resultante da própria desigualdade de poder entre os gêneros, submetendo a população feminina a uma maior vulnerabilidade e limitando a tutela de direitos a vida, bem como a falta de autonomia no processo jurídico.
Procurar viver como se deseja, seguir seus projetos e ter integridade física e mental acaba por representar uma batalha individual para muitas de nós, mas o Movimento Feminista nos mostra a importância de fazer essa luta em conjunto e reconhecer politicamente os problemas que nos atingem. Afinal, 'O Pessoal é Político'!
texto realizado coletivamente pelo CAF.

outras fontes:

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

28 de setembro - mobilização em defesa das mulheres e pela legalização do aborto (CANCELADO EM DECORRÊNCIA DA CHUVA)

No dia 28 de setembro, das 11:00 às 13:00, na Rua XV de Novembro (frente do Bondinho) a Articulação de Mulheres Brasileiras irá realizar uma mobilição em defesa das mulheres e pela legalização do aborto. Será realizada uma panfletagem e serão coletadas assinaturas apoiando o manifesto. Convidamos a todas para participarem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

IX Edição do Café com Debate

No dia 24 de setembro estará sendo realizado o IX Edição do Café com Debate, no qual o tema abordado será: "Aborto uma questão de saúde pública", exposição da Dra. Alaerte Leandro. O Café ocorrerá no Espaço Cultural do SEEB Curitiba, Rua Piquiri, 380, das 17:30 às 19:00.

Previamente a este encontro, às 17:00, estará estará sendo discutida a possibilidade da criação de um grupo de estudos sobre o tema, objetivando fortalecimento de argumentos.
Interessadas entar em contato pelo e-mail dorismargareth@terra.com.br

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Convite - Café Feminista (Marcha Mundial das Mulheres)

A marcha estará promovendo esta sexta-feira às 19h um café feminista com palestra no tema "Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos - Pelo fim da Violência e da Impunidade".


Dia 25 de setembro às 19h no Sismuc (Rua Mosenhor Celso, 225, 9o andar).

postado por J.

DIA MUNDIAL SEM CARRO & MARCHA DAS 1000 BIKES

Setembro é o mês da Bicicleta em Curitiba:

O coletivo Interlux Arte Livre, responsável pela programação do evento ARTE BICICLETA MOBILIDADE de 2009 e integrantes da Bicicletada de Curitiba programaram atividades para amanhã, dia 22, o Dia Mundial Sem Carro.


22 de Setembro, Terça-Feira:


12h – mobilização na Praça Santos Andrade rumo à Câmara dos Vereadores

16h – Vaga Viva pelo Centro e Música Para Sair da Bolha

18h30 – Marcha das 1000 bicicletas


Visite http://artebicicletamobilidade.wordpress.com/ para maiores informações.



A prefeitura de Curitiba também realizará eventos no Centro e nos bairros


No Centro da cidade serão fechados ao trânsito o trecho mais central da avenida Marechal Deodoro - da rua João Negrão à Marechal Floriano Peixoto; os acessos à praça Tiradentes; e a rua Barão do Rio Branco entre o Paço Municipal e a André de Barros. Apenas ônibus, bicicletas, pessoas a pé e veículos de serviços essenciais e de emergência terão acesso aos trechos interditados.

No espaço normalmente usado pelos carros, estas ruas vão abrigar terráreo, Condomínio da Biodiversidade, feira de produtos orgânicos, atrações artísticas, jogos e brinquedos, educação de trânsito, artesanato, exames de saúde e uma série de outras atividades de lazer e serviços para a população.

As outras atividades estão programadas para acontecer no Boa Vista, Boqueirão, Cajuru, CIC, Pinheirinho, Portão e Santa Felicidade, mais informações aqui.

Lembrando que em todos os últimos sábados do mês acontece a Bicicletada de Curitiba. Saída às 10h no pátio da Reitoria da UFPR.
http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/



Meninas, é hora de colocar o pé no pedal!

C.Z.

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mais um informe sobre o Dia Mundial Sem Carros:


Jornada Mundial na cidade sem meu carro

evento da Casa do Trabalhador


Nessa terça-feira, dia 22 de setembro, uma série de eventos em todo o mundo celebra a Jornada Mundial na cidade sem meu carro.

Aqui em Curitiba, o movimento social promove o debate "Os desafios da Terra habitável para a economica contemporânea" com o ambientalista Henrique Cortez (EcoDebate/RJ) e Raska Rodrigues (Secretário do Meio Ambiente do PR).O debate acontecerá no SENGE às 19hs.

Participe e divulgue!

Sindicato dos Engenheiros (Senge) - CCI Itália, 22º andar, Rua Mal Deodoro, 630, CCI - 22º andar.

Informações: Cepat (3349-5343)
Promoção: CEPAT; SENGE; IHU; ITCG
casatrabalhador@terra.com.br

domingo, 20 de setembro de 2009

Manifestação na Parada Gay dia 27 de setembro

No próximo domingo acontecerá a Parada da Diversidade, na Praça do Homem Nu (ou Praça 19 de Dezembro localizada na Avenida Cândido de Abreu, próximo ao Shopping Muller).
Estaremos lá junto a outros grupos levando faixas e cartazes para chamar atenção para a Visibilidade Lésbica, Direitos Reprodutivos (para o 28 de setembro, dia latino-americano e caribenho pela legalização do aborto) e os recentes assassinatos de homossexuais, também realizando uma panfletagem no tema da visibilidade lésbica.

Estamos recomendando a quem queira participar, que venham vestidas/os de preto, pois é assim que nos identificaremos e destacaremos, e que tragam materiais para confecção de cartazes*, apitos e outros recursos.

domingo 27 - 13h - na praça do Homem Nu. Tod@s convidadas!!


* Sábado, 26/09 após a reunião do CAF haverá confecção de materiais para a parada. Estão tod@s convidad@s a participar, é só trazer tinta e o que mais achar necessário!


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Maratona da Diversidade

No próximo domingo, dia 20 de setembro será realizada a “Maratona da Diversidade” em Curitiba na praça Oswaldo Cruz.

Haverá competições de futsal, voleibol e outras modalidades “alternativas” (arremesso de bolsas, corrida de revezamento de camisinhas e corrida com salto alto). A maratona é organizada pela Associação Paranaense da Parada da Diversidade LGBT (APPAD) e o intuito é incentivar a prática de esportes, dar visibilidade axs atletas LGBT e também trabalhar a conscientização na prevenção da AIDS e outras DSTs. Durante o evento, voluntárixs trabalharão com a divulgação da campanha “Fique Sabendo – Faça o teste de Aids”, iniciativa do Departamento Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde incentivada pela Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.

Programação:
Domingo – 20/09

09h30 às 12h30 – Futsal
12h30 às 13h30 – Intervalo
13h30 às 14h30 – Arremesso de bolsas
14h30 às 15h30 – Corrida de revezamento de camisinhas
15h30 às 18h30 – Voleibol
18h30 – Corrida com “salto alto”
19h – Encerramento (partida de voleibol com Drags Queens da “cena” curitibana sob o comando da drag Lana Kill)

Local: Praça Oswaldo Cruz – Avenida Visconde de Guarapuava, n° 3698 – Centro – em frente ao Shopping Curitiba.

*As inscrições para participar das modalidades já foram encerradas. As inscrições para os jogos alternativos são limitadas e podem ser feitas com antecedência por e-mail: appadpr@yahoo.com.br ou pelo fone (41) 3222 3999 ramal 29.

Mais informações sobre a Maratona no site: http://paradadadiversidade.org.br/

Sobre a Campanha “Fique Sabendo”: http://www.aids.gov.br/fiquesabendo/


(Direcionado do blog O Marinheiro: http://omarinheiro.wordpress.com)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Do sentimento de incapacidade e da capacidade


Sempre fui muito insegura e o sentimento de incapacidade faz parte da minha vida, não busco aqui explicações para tais sentimentos, neste momento só posso afirmar que eles são presentes e estavam ali quando eu fazia ou deixava de fazer algo. Em contraposição a isto sempre senti a necessidade de escrever, informar, de lutar por aquilo que acredito e assim acabei me envolvendo em vários grupos, todos direcionados a libertação animal e a grande maioria denominado libertário.

Muito aprendi nesses grupos, principalmente na questão estrutural, mas em contrapartida o sentimento de insegurança aumentava cada vez mais. Era frequente em rodinhas de conversas ou até mesmo em grupos de estudos o debate de temas dos quais eu nunca tinha estudado. As pessoas quando percebiam que eu estava perdida me questionavam "poxa, mas você não sabe isso?". Outra situação constatada é que grande parte das mulheres participantes dos grupos ou estavam ali acompanhando seu companheiros ou eram dominadas por eles. Dominação esta que ficava explicita quando tais mulheres precisavam da aceitação dos seus parceiros para falar e agir dentro dos grupos e da constante pressão de ser utilizada determinada postura que fosse mais conveniente ao companheiro. Quando se posicionavam distintamente ao esperado eram ridicularizadas e deixadas de lado, como não sendo mais útil ao coletivo.

Em um primeiro momento decidi sair dos grupos que fazia parte e me conveci de que realmente era incapaz, após quase um ano afastada, sentindo um vazio imenso e pensando porque as pessoas adotavam tais posturas cheguei a uma conclusão: muitas pessoas não estavam ali pela causa e sim pelo "fetiche" de ser um líder militante, utilizando da dominação, através de desqualificação pessoal e de genero, para manter tal liderança, sistema idêntico ao sistema utilizado pelo patriarcado.

Decidi que não iria me deixar oprimir mas nunca tinha forças suficientes para deixar de ser oprimida, isso porque estava inserida no meio libertário, neste momento pensei em todas as mulheres que são oprimidas rotineiramente e nos efeitos de tal opressão. Percebi o quanto o feminismo é necessário e decidi ir a luta, ainda tenho o sentimento de insegurança e incapacidade mas a cada dia aprendo mais sobre a história de nós mulheres, dos movimentos feministas, de como nos organizarmos para a real libertação da mulher, assim como aprendo com os relatos de companheiras que tem os mesmos sentimentos que eu e a cada dia me sinto mais segura e capaz de promover esta mudança.

Este é um relato pessoal (desabafo) que não expressa a opinião do Coletivo como um todo.

Segue um texto retirado do blog http://feminismoevegetarianismo.blogspot.com/ :

Não é de agora que muitos movimentos vegetarianos vem empreendendo uma verdadeira ‘caça às bruxas’ às mulheres. Ainda é objeto de estudo e intriga a prevalecente misoginia e perseguição dos temas de suas intervenções e eleições retóricas. Algumas organizações já conhecidas e denunciadas são o PETA, que como bem expressou a ativista norte-americana Nikki Craft, uma das pioneiras na denúncia, ‘Apenas mulheres são tratadas como carne’. Na organização referida, mulheres são bem vindas contanto que tirem a roupa para promover a sigla que fatura bilhões com a causa apelativa dos bichinhos. Mulheres também são publicizadas em suas campanhas sendo espancadas portando casacos de pele. O cenário que mostram dá a entender que mulheres e sua ‘odiosa futilidade natural’ são o sustentáculo maior da opressão sobre animais nos planetas. Claro que a indústria da moda e do couro são esquecidas nessas horas: seria demais pôr o Capitalismo mundial e sua verdadeira chefia (Patriarcado e classe de homens em suas formas atuais) abaixo: são preteríveis as causas mais distrativas e populares – como o ódio a mulher, que tanto solidariza pessoas ao redor do mundo.

Não bastando, no Brasil, no último 8 de março em São Paulo, junto aos partidos políticos, homens veganos invadem a manifestação de mulheres distribuindo panfletos de causa animal, sendo esta data uma das únicas onde mulheres podem ter alguma visibilidade para suas próprias causas.

Caça às bruxas
Num dos panfletos distribuídos, intitulado ‘Libertação: de gênero e de espécie’A Vegan Staff diz basicamente que todas as mulheres não-vegetarianas ou vegans são comodistas, incoerentes, negligentes, limitadas e hipócritas (‘Muitas militantes feministas negligenciam a causa da libertação animal não humana, seja por comodismo, incoerência ideológica, ou ignorância. E erroneamente, insistem em consumir ingredientes de origem animal, assim como a sustentar empresas que fazem testes em animais’). A organização que até esta data não se comprometeu com nenhum trabalho feminista sério acusa feministas, questiona credibilidade da sua causa e impõe a mulheres, especialmente grupos sem poder como feministas e negras, seu recorte político amesquinhado, exigindo adoção de um paradigma pobre e masculino e ao mesmo regulando condutas de mulheres, exigindo 'coerência'.

Já sabemos como movimento feminista sofre perseguição é segue sendo queimado nas fogueiras inquisitoriais até hoje.

Ao invés de oferecerem subsídios úteis para a compreensão e combate ao paradigma masculino, o representam e o protegem quando dizem a mulheres o que devem ou não fazer, valendo-se de tom autoritário e coercitivo tipicamente supremacistas masculinos (“ou continuarão hipócritas,” “Portanto, torne-se vegetariana, negue...ou...”). De um lugar muito favorável e confortável (privilégio masculino e não sofrer os prejuízos da opressão no acesso a recursos de compreensão, voz, reconhecimento de liderança e idiossincrasias próprias) exercem-se como juízes das mulheres, avaliando negativamente movimento de mulheres, condenando e pressionado, exigindo posturas que lhes convenham, coisas que Patriarcado há séculos tradicionalmente faz.

Destituídos de contexto histórico e social culpabilizam mulheres acusando-as de “sustentar” empresas especistas com suas “insistências errôneas”, quando é o trabalho explorado de mulheres trabalhadoras que sustenta tais empresas. Clamam por um consenso sobre o que fazer com animais, quando não há sequer um nesta sociedade de que mulheres são seres humanos.

Apropriam-se de forma hipócrita de discursos e produções teóricas feministas para manipular mulheres a seus próprios propósitos, uma violência típica (opressor não pode falar por oprimido) quando sabemos que a organização e os movimentos veganos em geral compõem-se de uma maioria masculina (ou ao menos, sua direção inquestionavelmente o é).

Instrumentalizar saberes feministas é um ataque a autonomia das mulheres, constitui-se em um roubo da fala e espaço que segue nos silenciando. Homens não podem falar pela nossa experiência. Eles não a vivem, não estão autorizados. Conseqüentemente, soa ditatorial e inquisitório, senão subestimador (algo como ‘elas não podem levar sua luta por si próprias, precisam ser ensinadas, o que é feminismo e ser coerente politicamente’).

Diz o que devemos fazer ou não (‘...não há como feministas contra-argumentarem ou negligenciarem a libertação animal’).

Subtendende-se pelo tom disciplinário de suas advogações uma misoginia implícita que intenta corrigir mulheres que, ‘desobedientemente’, comem carne ou derivados.

Naturalizam o Patriarcado, esbarrando sempre em posturas essencialistas, dicotomizando e reificando naturezas ‘homem’ e ‘mulher’, reproduzindo dualismos classicamente misóginos onde o patriarcado representa o pólo agressivo e racional e o Matriarcado pacifista e dócil, preparadas para receber ordens e abdicar de suas subjetividades por uma causa comum (‘regime matriarcal era comunitário’, natureza feminina é solidária). Infere-se aí quase um ‘manual de boa conduta’ do que seria representar uma mulher/feminilidade ideal (agora, reformada e politizada, requerindo a esposa perfeita do homem esclarescido e justiceiro vegano). Mulheres devem ser boas, solidárias e sempre de pernas abertas a suas causas. A punição, ameaçam, é o vexame público. ('ou continuarão hipócritas').

O veganismo não vai libertar as mulheres.
O feminismo não deve nada a ninguém, exceto seu sujeito político, as mulheres, jamais contemplado na História escrita pelos grandes machos. Não necessita de leitura anti-especista ou mesmo anti-capital para ser legitimado e sequer as diversas condições das mulheres pelo mundo averiguadas para serem levada a sério e ter espaço para sua voz, para que o que nos tenham a dizer seja importante e significativo por si só.

Vegan Staff, homens anarquistas, homens libertários, homens pró-feministas e maridos esquerdistas, homens em geral: Vocês não podem falar pelo homossexuais, negros e mulheres. E pelo visto nem pelos animais.

O sujeito do feminismo são as mulheres e somente estas podem elaborar e que termos levar suas lutas de forma individual e coletiva, suas necessidades imperativas e como sentem questões de opressão, inclusive dentro de movimentos comunitários, políticos e sociais e então, dentro do movimento dos direitos animais em que garotas estejam, reféns de um histórico e maioria notadamente masculinista e heterosexual, quando estes últimos mesmos não atuam em conjunto com as facínoras ideologias e instituições sociais pró-vidas que seguem matando mulheres ao dificultar sua luta por direitos sexuais e reprodutivos, acesso a aborto legal, público e gratuito.

Não demande que levemos sua alienação classe-média-branca-higienista-conservadora-moralizante a sério.

Somente nós poderemos elaborar os termos de nossa própria Libertação e Humanização.

Somente nós poderemos considerar quão veganismo ajudará neste processo, quando a divisão de alimentos no planeta tradicionalmente privilegia homens (fazendo com que em muitos países, vegetarianismo seja justamente compulsório à mulheres já que carne é privilégio econômico e simbolicamente instituído como masculino, mais ou menos como por aqui onde garotas morrem por anorexia e regimes alimentares que patriarcalmente instituídos visam debilitar saúde da mulher que, independente de constarem carne ou não, seguem nas matando, principalmente às pobres e negras).

Abaixo o constrangimento oral de mulheres por homens
Sim ao vegetarianismo considerado em nossos próprios termos. Sim a educação alimentar não misógina que fortaleça mulheres a continuarem suas lutas e disporem de qualidade de vida , que depende não somente de boa alimentação e acesso a meios de saúde e contracepção, mas também na extinção da heterosexualidade compulsória, pornografia e outros regimes masculinos de risco que tornam sua vida um estado constante de medo, estresse e comedimento.

Sim ao estudo mais sério do vegetarianismo e sua conveniência à causa das mulheres.

Sim à ciência das mulheres.

Não a tradicional disposição de nossos ouvidos, corpos e vontades aos homens detentoresda verdade.

Mulheres, antes de qualquer coisa: acreditem em vocês mesmas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Oficina em Direitos Reprodutivos

A AMB está organizando, dia 19 agora, uma oficina de capacitação para abordar o tema do aborto. Vai ser aberta a mulheres que são a favor da legalização, para afiar os argumentos:

Referente ao dia 28 de setembro - Dia Internacional de Luta pela Descriminilização do Aborto na América Latina e Caribe


Algumas atividades agendadas:

Dia 19 de setembro - Oficina - Saúde sexual e reprodutiva - 9h às 18h -
Local - Espaço Cultural do SEEB Curitiba - Rua Piquiri, 380



Promoção - Fórum Popular de Mulheres - Responsáveis - Eliana - CUT-PR e Doris - AMB
Interessadas entar em contato pelo e-mail
dorismargareth@terra.com.br, pois as vagas sao limitadas


Dia 24 de setembro - IX Edição do Café com Debate - Tema: "Aborto uma questão de saúde pública" - exposição: Dra Alaerte Leandro.
Local - Espaço Cultural do SEEB Curitiba - Rua Piquiri, 380
Horário - 17:30h às 19h


28 de setembro - audiência pública - Plenarinho a confirmar

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um pouco sobre o que orienta o Coletivo este mês e reuniões

Amanhã realizaremos mais uma reunião do coletivo, que está aberta para todas ajudarem a construir. Estamos tendo cada vez mais interessadas e além de discutir propostas práticas, estamos realizando nossas leituras formativas para ajudar a entender, projetar e definir nossas estratégias de atuação.

Semana passada foi lida a introdução do livro da feminista Marilyn French, "A Guerra contra as Mulheres", onde ela faz uma breve retomada das origens e hipóteses sobre a dominação à mulher,o surgimento dos movimentos sociais e ecológicos, a exploração do trabalho feminino e a desigualdade, a dificuldade de provar a discriminação da mulher (por naturalizada que está) e o ataque ao corpo feminino em todas as culturas. Um bom texto de sensibilização e tomada de consciência.

NOSSA ORGANIZAÇÃO:

Vemos a necessidade de priorizar taticamente, neste primeiro momento, enquanto grupo, a propaganda feminista e a prática educativa e conscientizadora. Por primeiro entendemos defender o feminismo (e não o anarquismo ou o marxismo) enquanto ideologia que realmente traria as respostas e a forma de organização para mulheres, dentro de seus termos e sua experiência. Assim, levar o que este tem a dizer sobre divisão de trabalho, revolução social ou ecologia. A segunda entende poder fazer a tomada de consciência possibilitada pelo feminismo ser analisada pelas mulheres na leitura pessoal que faça de suas contradições cotidianas, que possa levar a uma mobilização e engajamento. O Feminismo deve buscar inquietar as Mulheres. A resposta só pode ser dada por nós mesmas, pois somos as protagonistas de nosso movimento de libertação que está intimamente relacionado com a libertação de todas demais formas de opressão e do próprio ecossistema em geral.

Um pouco de História -

A mais antiga divisão de trabalho é a divisão de gêneros homem x mulher que, no discurso dominante, é justificada tomando por base a suposta naturalidade da função reprodutiva da mulher, quando na história (claro, se estudamos nossas referências e não o que os homens da esquerda querem que a gente ache da causa da nossa opressão) vemos se tratar de um processo de conquista que se efetivou na tomada dos corpos das mulheres, através do controle sobre sua capacidade de gerar. Assim, o discurso da naturalização da maternidade social vem para garantir o trabalho gratuito da mulher; primeiro aos Patriarcas primordiais, depois ao Estado (que nada mais é que a organização da primeira Supremacia Masculina e sua pepetuação até os dias de hoje), que cuida e gera seus cidadãos já que é incumbência 'natural' ou parte gratificante da 'feminilidade'.

Esse processo de conquista tem impactos ambientais concomitantes, uma vez que se repete com as mulheres o que o imperialismo (masculino/falocrático) faz com as terras (ou se repete com as terras o que homens fazem com mulheres?), e aí também entrando a domesticação dos animais e a invenção do regime carnívoro. Isso pelo simples fato de que os primeiros homens guerreiros (o primeiro ensaio de uma casta militar) vêem na Natureza a Mulher, a origem que querem repudiar, a Imanência que querem Transcender (categorias usadas por Simone de Beauvoir com base em sua influência por parte da filosofia existencial-fenomenológica). Os homens inventam o 'Outro' para se instituírem como o Mesmo. Nesse processo vai violência, pois se trata de uma disputa de poder:

"A caça deu a eles uma posição na sociedade e uma base para a solidariedade. Mesmo depois que se percebeu o papel do homem na paternidade(...)a situação social permaneceu a mesma. (...) Como a única base para a solidariedade masculina é a oposição à mulher e porque sua finalidade é substituir o vínculo primitivo com a mãe, a quem os homens associavam qualidades essenciais à vida - nutrição, compaixão, suavidade e amor -, construir a solidariedade masculina sempre acarretou uma forma de brutalização. Os ritos de iniciação ensinam os meninos a desprezar e erradicar características 'femininas', substituindo-as por dureza, renúncia (não abnegação), obediência e deferência por homens superiores. Eles criam um vínculo diferente do amor, um instrumento para o bem 'mais importante', um objetivo transcendente - o poder. Muitos ritos de puberdade exigem especificamente que os homens rejeitem as mães e, com elas, o mundo 'feminino' ". (Marilyn French, A Guerra contra as Mulheres)

"Sua atividade [do guerreiro] tem outra dimensão que lhe dá sua suprema dignidade, e ela é amíude perigosa(...) Não é dando a vida, é arriscando-a que o homem se ergue acima do animal; eis porque na humanidade a superioridade é outorgada não ao sexo que engendra e sim ao que mata" (Segundo Sexo, pg 84)


Andreé Michel em 'O Feminismo: uma abordagem histórica' diz, contudo, que a divisão de trabalho 'primitiva' (coleta e caça) não pode se dizer suficiente para determinar relações de poder ou instituição de classes sociais. Pelo contrário: da era Paleolítica até a Segunda Revolução Neolítica as relações eram marcadas por flexibilidade nessas divisões de tarefas e por cooperação. Vestígios arqueológicos não trazem indícios de guerras. Diferentemente das alegações de Levi-Strauss, a dita 'troca de mulheres' entre os clãs nesse período se tratava de vínculos de paz entre estes, também sendo os homens 'trocados', numa espécie de casamento primordial. A idéia de uma origem do Patriarcado tão somente no surgimento das classes guerreiras acaba por repetir as análises androcêntricas da História. É preciso discriminar o marco real do surgimento de sociedades de exploração como sendo a instituição da Propriedade Privada.

Assim mesmo, essa forma de relação com a existência demonstrada por Beauvoir e essa nova forma de identidade através da dialética com um Outro objetificado (mudança esta que tem primeiro suas origens na mudança na economia material da sociedade que exige determinada superestrutura ideológica) implica numa mudança também no se relacionar com os recursos naturais e humanos: os homens utilizam-se eles como forma de extender seus domínios. O sistema latifundiário, que esgota a terra e nela despeja insumos agrícolas como se fosse coisa passiva, é muito parecido com o processo de violência sexual que se mantêm atraves dos tempos - seja por guerras, pela epidemia de abuso sexual e incestos, pela Prostituição e Tráfico Internacional ou pela Pornografia -, numa necessidade de manter a mulher como categoria definida como subordinada e objetificada:

"Já verificamos que, quando duas categorias humanas se acham em presença, cada uma delas quer impor à outra sua soberania; quando ambas estão em estado de sustentar a reivindicação, cria-se entre elas, seja na hostilidade, seja na amizade, sempre na tensão, uma relação de reciprocidade. Se uma das duas é privilegiada, ela domina a outra e tudo faz para mantê-la na opressão. Compreende-se pois que o homem tenha tido vontade de dominar a mulher. Mas que privilégio lhe permitiu satisfazer essa vontade?" (Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo, vol. I, pag 81, Editora Nova Fronteira, 1980)

Só se pode defender e manter uma posição de Poder tomada às custas de alguém ou de algum povo com o mesmo recurso que se usou para tomar esse Poder: com força. Força militar, jurídica, institucional, ideológica e religiosa. Está inventado o Patriarcado, o regime da Supremacia Masculina, assim como os exércitos e outras formas de emprego de violência rotineira (os quadros de violência contra a mulher não são senão 'epidêmicos' como apontam as analises feministas, mas sim compulsórios à manutenção da dominação masculina e extração do trabalho feminino, mantendo uma classe toda obediente e temente), a Heterosexualidade Compulsória e Monogamia, a religião Monoteísta e as Leis.




A falta de Solidariedade entre Mulheres e a raíz disso -


Assim sendo, a opressão da mulher não acaba com o Capitalismo como pregam ideologias que intentam transformar a luta da mulher em mais uma 'questão específica' ou 'movimento dentro' de algo mais amplo, ou até mesmo uma versão de uma teoria-pai (marxista, anarquista), chegando a nos acusar de pautarmos algo mesquinho ou não pensar 'nos trabalhadores'. Como Beauvoir aponta em seu livro de 1948 e marco da 2a onda feminista, as mulheres estão divididas pelas classes sociais: "Não têm passado, não têm história, nem religião própria; não têm, como os proletários, uma solidariedade de trabalho e interesses; não há sequer entre elas essa promiscuidade espacial que faz dos negros dos EUA, dos judeus dos guetos, dos operários de Saint-Denis, ou das fábricas Renault uma comunidade. Vivem dispersas entre os homens, ligadas pelo seu habitat, pelo trabalho, pelos interesses econômicos, pela condição social a certos homens - pai ou marido - mais estreitamente que as outras mulheres. Burguesas, são solidárias dos burgueses e não das mulheres proletárias; brancas, dos homens brancos e não das mulheres pretas. O proletariado poderia propor-se o trucidamento da classe dirigente; um judeu, um negro fanático poderiam sonhar com possuir o segredo da bomba atômica e sonhar em compôr uma humanidade inteiramente judia ou negra: mas mesmo em sonho a mulher não pode exterminar os homens. O laço que as une a seus opressores não é comparável a nenhum outro" (O Segundo Sexo, pg 13). Estejam onde estiverem, as mulheres são o "proletário do proletário", mas somos impedidas de tomarmos uma consciência de classe 'feminista', sendo logo acusadas de divisionistas ou 'femistas', tensionadoras de casamentos e cruéis, sendo isso também uma forma de perseguição política.


Lutar a partir de nós mesmas -


O Feminismo nos leva a concluir que o Capitalismo não passa de mais uma expressão da organização da sociedade que fundamentalmente é Patriarcal, e que passou a se estruturar, embora já tenha seus fundamentos no acúmulo primitivo e na propriedade privada, a partir do século XVII e XVIII, mas como a mais antiga forma de dominação é a dos homens sobre as mulheres - processo esse que não foi jamais dado pela natureza ou por qualquer condição natural e que também não aconteceu sem resistência, e os dados de violência contra mulheres nos dão alguma idéia da dificuldade de conter tal grupo submetido - Capitalismo, Racismo, Sexismo, Especismo, Etarismo e qualquer forma de relação hierárquica e de poder desigual tem sua inspiração na Supremacia Masculina e derivou desta, como mecanismos inter-dependentes de opressão que operam junto para garantir as relações sociais presentes, a privilegiar um grupo minoritário detentor impróprio dos meios de vida de todos viventes. Eis porque não podemos ter a ilusão de combater apenas uma em particular; precisamos ser solidárias a todas lutas que de alguma forma estejam também nas linhas de combate, resistência e ameaça ao Patriarcado-Capitalismo posto:

"As distinções de classe são uma extensão do domínio masculino como tal, e não apenas dividem as mulheres pelas linhas econômicas, senão também servem para destruir os vestígios de antiga força matriarcal das mulheres" (Charlotte Bunch & Nancy Myron,"Class and Feminism" IN Hacia una Teoria Feminista del Estado, Catherine Mackinnon).


Para pensar e chegar a mais respostas sobre essas questões, VENHAM PARA NOSSAS REUNIÕES DE ESTUDOS NAS PRÓXIMAS SEMANAS, que terão por objetivo a retomada histórica desses acontecimentos.


*Postado por J., que acabou se bagunçando com os logins. A postagem não representa a posição de todas no coletivo e também não há consenso entre historiadoras e feministas sobre a origem das sociedades de opressão.